Frelimo, Renamo, Intelectuais e Mentirosos

Desde que Armando Guebuza ganhou as eleições Presidenciais em 2004, passando pela sua consequente tomada de posse, já passam 3 anos. Três ou dois, não interessa muito.

O que na verdade interessa é indagar algumas das reflexões tendenciosamente veiculadas pela imprensa nacional e internacional, bem como de alguns consultores mentirosos que engordam à custa dos dinheiros de organizações não governamentais estrangeiras, com um claro objectivo de influenciar a opinião pública nacional e internacional sobre o desenvolvimento da democracia em Moçambique.

Muitos estudos e análises políticas recentemente levados à cabo em Moçambique, dão conta de três situações preocupantes:

1. A do  perigo do regresso ao monopartidarismo liderado pela Frelimo, como resultado do crescente enfraquecimento da Renamo e de toda a Oposição (baixe da minha biblioteca);

2. A de que a corrupção e a falta da boa governação possa levaro país à uma Guerra Civil(baixe aqui, na minha biblioteca);

3. A de que Moçambique não tem capacidade de absorção de fundos das agências doadoras(baixe da minha biblioteca).

Na verdade, tudo isso, não passa de verdades incompletas. Pior, pela forma como são explanadas, arrisco-me a dizer que são mentiras.

Enfraquecimento da Renamo implica Fortificação da Frelimo?

Temos um partido Renamo a ruir de podre, um antigo movimento rebelde de desestabilização que, à custa do seu Líder, Afonso Dhlakama, está progressiva e politicamente a falir . O índice de deserções e apresentação pública de seus antigos membros não para de crescer; o seu líder não para de não ter uma estratégia clara sobre a governação do país; os seus parlamentares apenas estão lá para fazer barulho, quando com palavras não conseguem impor a sua verdade.

A interepretação que se dá à isso tudo é de que a Renamo está cada vez a perder credibilidade e que, por causa disso, a Frelimo está a crescer e a fortificar-se ainda mais.

Pior, diz-se também que com a crescente fortificação da Frelimo, fruto do processo de reorganização do Partido; com a crescene partidarização do Estado, a Renamo vai perder porque, na verdade, caminhamos em direcção ao monopartidarsmo, liderado pela Frelimo.

Um estudo levado a cabo pela DFID dava conta de que havia condições para que Moçambique voltasse à guerra porque os partidos da Oposição estavam cada vez sem dinheiro; a sua participação em processos políticos estava limitada ás eleições, porque época de dinheiros do Estado; entre outras razões fúteis e precipitadamente tiradas.

Muitos doadores, quando chega o fim do ano económico, reclamam e ainda outros ameaçam reduzir os dinheiros alegando que o país não tem capacidade de absorção de fundos. Uma idiotice como essa começa furar-me os ouvidos, quando vejo ainda muita escola por ser construída, muitos centros de saúde por erguer, muitos professores por ser recrutados e pagos, mutio mais coisas por serem feitas. enquanto drenam fundos para projectos ligados à SIDA mas nunca malária, educação, saúde, ciência e tecnologia muito menos formação de pessoal.

Intelectuais mentirosos também não perdem tempo na caça aos dinheiros, mesmo que para tal, vendam a sua própria alma.

Por isso vemos moçambicanos mancomunados com agências estrangeiras cuja missão é nada menos do que denegrir o país. Não admire por isso que por ano saiam 6 relatórios dando conta que o país é corrupto, os governantes e o Estado são corruptos, falta integridade, isto e aquilo.

A Ferlimo por sua vez vai aproveitando a inocência de muitos intelectuais para neles incutir ideias políticas alienadoras. Desta forma, ganha campo a ideia de que ela está cada vez mais forte, enquanto que na verdade, anda ela própria vaidosa, pensando que porque é Governo do dia, nada lhe impede de partidarizar o Estado, fonte de emprego de muitos dos poucos letrados do país.

Assim, porque a adesão ao partido é de carácter obrigatório, vai ela toda sorridente, pensando que está a ganhar membros. Mas o que é ser membro? Qual deve ser o perfil do membro da Frelimo? Que cresciemnto partidário a Frelimo pretende; crescimento desorganizado ou criterioso? Perguntas como estas e outras ela nem está preocupada em fazer.

O que me preocupa é a mentira sobre a qual estamos sentados e que ninguém quer levantar um debate sério. Nenhum partido em Moçambique sabe quantos membros tem. Tudo o que se faz é na base de estimativas. E onde não há verdade, a especulação toma conta.

Fazer política em Moçambique deve ser uma das coisas mais faceis do que em qualquer outro país, acho eu. Não há prestação de contas aos membros, não se faz trabalho honesto, não se debatem ideias, mas patrões doadores; não se tem plano, age-se de forma reactiva e não proactiva, enfim, vive-se…

À custa da democracia.

25 thoughts on “Frelimo, Renamo, Intelectuais e Mentirosos

  1. Visto daqui, de longe, a falta de alternância democrática em Moçambique é preocupante… Existe uma democracia pluripartidária aparente, mas sem a alternância que seria desejável numa democracia completamente amadurecida e consistente… E o próprio discurso da Frelimo, que frequentemente descamba em ameaças e agressão verbal não facilita esta alternância… Muitos dizem que África não está preparada para uma democracia de tipo “ocidental” (cá para nós… nem Portugal…), já que esta requer uma camada popular instruída, esclarecida e informada e esta não foi formada no colonialismo (a quem interessava uma massa amorfa e desinformada) nem durante os longos anos de guerra civil.

    mas isso significa que não deve haver democracia em África? Não o acredito… Continua a ser o “melhor dos piores sistemas de governo”, nas palavras de Churchill… e se a raíz do seu sucesso está na Educação e na formação cívica então é aqui que devem ser concentrados esforços… e não o abandono e substituição por outros sistemas não-democráticos.

    embora os sistemas tradicionais de governo, especialmente a nível local sejam extremamente interessantes e provavelmente muito eficazes no governo local…

  2. Não há democracia possível com um povo analfabeto e políticos charlatães.
    O que acho sobre a democracia em Moçambique é simplesmente lamentável. Não passa de uma caricatura rizível e triste de um sistema político em constante agonia.
    E caro Martins, Moçambique é um clássico exemplo de como a democracia não deveria ser implantada.
    Um dia terei a ocasião de lhe contar um pouco, mas vai aqui um cheirinho:
    Em 1992 após a assinatura do Acordo Geral de Paz, houve uma reunião que se autodenominou
    multipartidária; uma reunião ao estilo da Conferência de Berlim, de 1884 onde organizações civis e políticas em formação iam para uma sala discutir tudo. Constituição, formação do parlamento, lei eleitoral,registo de partidos políticos, etc…
    E lá ficaram meses, quase meio ano a viver às custas da ONUMOZ, missão das Nações Unidas para Moçambique.
    Depois vieram as eleições, também patrocinadas pela ONUMOZ.
    Garanto-lhe que todos tinham dinheiro durante as eleições de 1994. Menos ideias e visão para o país.
    O se seguiu foi isto mesmo: actividade política durante períodos eleitorais porque são nesses períodos em que há dinheiro.
    Por último:
    Caro Martins, as campanhas e por consequência as eleições, em Moçambique são muito caras em relação a Portugal. Aqui ninguém compra material de campanha. Apenas recebem de graça.

  3. É como digo… É fundamental a ligação entre Educação-Cidadania-Democracia… Sem a plena satisfação deste trinomia/tripé da Liberdade, nenhum dos 3 pode existir isoladamente…

    Sendo que Educação, não é necessariamente educação académica… Você e eu conhecemos certamente muitas pessoas que sem a dita, são verdadeiros “Sábios da Vida”…

    Para Moçambique acredito sinceramente que o ideal seria devolver cada vez mais poder governativo aos municípios e sobretudo às comunidades locais, retirando este do Poder central, tantas vezes, vespeiro e ninho de interesses escuros e corruptos… Aproximando os eleitos dos locais, criando laços directos entre governados e governantes, pelo conhecimento próximo e directo poderia ser a via para o verdadeiro Desenvolvimento do país.

    e o mesmo digo para Portugal e para o seu desertificado Interior.

  4. Com toda a razão. Mas.. aí está o problema. Cá em MOçambique, o processo de Municipalização está sendo deliberadamente retardado. Por hora apenas temos 33 Municípios, altamente politizados.
    O Governo não quer largar a mão á governação local.

  5. Parabéns pelo seu artigo.

    A democracia em Àfrica está ferida de diferentes obstáculos, a saber: corrupção,analfabetismo, nepotismo, neocolonialismo,etc.

    Mas deixe-me que lhe diga que na Europa, por diferentes motivos, existe uma grave crise de representatividade e um fosso cada vez maior entre
    os dirigentes políticos e o povo.

    Conte-me como leitor assíduo do seu “blog”.

    Os meus melhores cumprimentos,

    Miguel Angelo Jardim

  6. “corrupção,analfabetismo, nepotismo, neocolonialismo”-Suas palavras.
    Concordo consigo. Mas salientaria o analfabetismo e a pobreza-um elemento que não mencionou, mas que cabe nos etc.
    Ora o fosso entre políticos e povo que se regista na Europa não passa, acho eu, de mais uma forma de manifestação politica consciente desse povo; que já sabe, na sua maioria, ler e escrever, paga impostos e cumpre leis.
    O que já não acontece no nosso pais: as elites, essa são que sabem tudo. Ate o dia das eleições, mesmo estando claro que elas devem acontecer de cinco em cinco anos. Mas precisam de ser confirmadas pelo Presidente no Poder!

  7. A propósito, mais uma,
    O meu antigo presidente (Joaquim Chissano, muito aclamado a nivel internacional, por ter sido um dos poucos presidentes que deixou o poder sem banho de sangue, proporcionando assim, uma transicao tranquila de poderes), veio um dia na imprensa nacional reclamar que os mandatos presidenciais em africa (5-7 anos) eram poucos.
    Por outras palavras, o tipo estava arrependido de ter se retirado do poder.

  8. Andamos muitas vezes a lançar farpas a Moçambique, a sua liderança, a sua Democracia etc, muitas vezes sem conhecimento de causa.

    Dizia um amigo meu (Líder de seu nome) que infelizmente (em Moçambique), embora tenhamos quase meia centena de partidos, temos uma oposição política que não pode ser claramente caracterizada do ponto de vista de agenda e filosofia da sua existência.

    Gostam de futebol? Já imaginaram uma sociedade que tem uma super equipa, que ganha todos os jogos por 10 a zero no mínimo? É o que acontece no futebol político Moçambicano!

    Nos treinos desta super equipa, Os jogadores de tanto não terem um adversário à altura começam a jogar entre eles. E criam uma posição e uma oposição. E o futebol dessa equipa se torna mais interessante para os espectadores. E como a super-equipa é mesmo muito forte, o futebol entre as equipas que se criam são o verdadeiro futebol (a verdadeira política) em Moçambique!

    Como diz um outro amigo meu, o formato da competição política numa sociedade é é o resultado (ou espelho) das interacções (incluindo forças, interesses, fricções, fraquezas, etc) dessa sociedade.

    Partindo do pressuposto de que todos lutamos pelo interesse de Moçambique, a RENAMO pode ter sido criada por foças externas, mas ela encontrou gente que tinha bons motivos para engrenar na causa.

    Por outro lado se a FRELIMO está a jogar sozinho é talvez porque ela representa, de facto, as forças mais estruturadas, mais audazes, mais arrogantes, mais blá blá, o suficiente para se posicionar onde hoje se encontra. Os outros foram surgindo e devem lutar por si só para a sua auto afirmação.

    Eu penso que ninguém ingressa (ou devia ingressar) na poítica sem um interesse específico. Política é poder. Poder de influenciar os outros (a família, a cumunidade, a sociedade) a seguir um rumo determinado. Os grupos políticos tem um interesse específico: democracia, direitos humanos, gestão da coisa pública, combate à corrupção, descriminação de grupos minoritários, etc.

    Para você pegar num destes elementos e começar uma causa (criar uma associação ou partido), implica necessariamente encontrar apoiantes (povo)!

    Em Moçambique, onde a pobreza e o analfabetismo criam uma apatia nas pessoas pela política (vejam as taxas de adesão às urnas), a baixa densidade populacional (pouca gente espalhada num país tão grande), a cultura e a religião (aceito a pobreza pois serei rico no céu), fazem com que para você demonstrar que os governantes actuais estão a cometer erros (por exemplo, violar a constituição) e ter apoiantes tenhas de: (1) explicar o que é a constituição, não só em português, mas também em Changane, Nyungue, Sena, (2) consciencializar as pessoas sobre a importância de um Estado de Direito, (3) demonstrar porque é que isso é importante, (4) dar tempo para as pessoas pensarem, (5) percorrer um país onde os custos de movimentação são astronómicos (6) chegar no sítio e esperar horas para o encontro começar com um quarto do número de pessoas previstas, (7) você cansar-se com a morosidade ou irritar-se quando ver que as pessoas estão mais preocupadas com coisas específicas, (8) enfrentar chuvas, sol, (9) etc. Em resumo, muitos desses partidos, na maioria com poucos fundos e ainda com pequenos oportunismos internos, acabam se cansando e dormindo ao longo do caminho. Por outro lado, o Partidão, já implantado a cada cenímetro quadrado de Moçambique, parece empenhado em melhorar os pontos por onde ele pode ser pegado: democracia (multipartidarismo, livre associativismo), género (temos muita mulher no governo, no parlamento), direitos humanosm (só falta a polícia fazer a sua parte), saúde e educação (parece estar a andar)! E parece, pelo menos pelos resultados eleitorais, que há pouca gente a querer disputar a sua posição. Neste contexto, talvez o nosso país tenha de continuar tal como se encontra até por força das vicititudes do desenvolvimento surgirem problemas sérios o suficiente para que um grupo forte de pessoas pense em se organizar politicamente.

  9. Moçambique pagou um preço alto pela colonização os efeitos disso continuam a fazer-se sentir. Vou citar apenas o exemplo do analfabetismo.

    Mas voltando ao tema, Severino Nguenha citado por elísio Macamo (um sociólogo que admiro muito) afirma que o nosso sistema político não opõe partido no poder a partidos na oposição, mas sim classe política nacional e indústria do desenvolvimento. A corrupção de que tanto falamos é a resposta do nosso sistema político e económico à presença desta oportunidade de apropriação de recursos sem referência ao jogo político normal. Isto resume muito do que poderia dizer.
    Citando ainda o Elísio Macamo diria “A democracia não é coisa fácil para uma sociedade como a nossa, onde há ainda muito espaço para consenso entre os vários grupos sociais. Suponho que a democracia, no Ocidente, tenha sido uma resposta ideal para conflitos entre grupos sociais que não tinham outra maneira de se articular de forma não violenta que senão pela transparência e legalidade.

    Infelizmente, no nosso país, a democracia só tem lugar no interior de um único partido político, a Frelimo, o que atrofia, naturalmente, a esfera pública. Enquanto for possível fazer arranjos dentro da Frelimo, continuaremos a ter esta tendência de reproduzir um sistema político e económico que reage à presença do auxílio ao desenvolvimento. Para isto acontecer, não é necessário que a malta da Frelimo teça malhas de conspiração entre si. O único que é necessário é que cada um de nós responda ao seu instinto individual, que cada um de nós, enfim, faça o que está ao seu alcance para tirar proveito da actual situação. O resto segue: o mundo de negócios não se reproduz através da concorrência sã dentro dos limites marcados pelo mercado, mas sim com base nos arranjos feitos com aqueles que podem tomar decisões; da mesma maneira, o sucesso da política não se mede pelos resultados realmente alcançados, mas sim pela estabilização das oportunidades de apropriação dos recursos externos. Tudo isto acontece dentro dum clima perfeitamente legal em que os casos de roubos são raros.

    Isto significa que uma das nossas prioridades deve ser a diversificação da esfera pública: devemos convidar os outros partidos políticos a articularem interesses sociais; devemos convidar a Frelimo a ver mérito numa estratégia de democratização real da sociedade; devemos criar organismos de defesa dos direitos do consumidor – que poderiam organizar boicotes contra instituições que funcionam mal, contra empresas que prestam maus serviços, etc.; devemos tornar claro aos vários grupos sociais que existem na nossa sociedade que alguns dos seus interesses são melhor protegidos numa esfera pública transparente, dentro de um clima de legalidade; devemos, inclusivamente, recorrer à desobediência civil em nome da responsabilização dos decisores políticos. O homicído praticado contra o chefe da cadeia da Machava, por exemplo, devia ter custado o emprego ao Ministro do Interior ou à Ministra da Justiça. Nenhum deles é corrupto, como muitos que gostam deste termo iriam logo dizer. Eles estão a trabalhar dentro de sistemas com procedimentos pouco claros, onde as responsabilidades provavelmente não são claras e onde não há critérios de avaliação de desempenho. Na acepção bastante inflacionária do termo corrupção preferida pelo Machado da Graça, tudo isso é corrupção. E considero essa maneira de ver as coisas muito problemática.

    Devemos insistir num sistema político que devolve a responsabilidade pelas coisas às pessoas. O sistema de governação que temos, que prevê governadores provinciais nomeados pelo Presidente da República é mau. Para além de que essa instância é completamente desnecessária, ela asfixia o impulso de responsabilização que poderia existir se as pessoas fossem encorajadas pelo sistema político a zelarem por si próprias. Enquanto o nosso sistema político não conseguir devolver a responsabilidade pela limpeza de um bairro aos moradores desse bairro, será difícil criar essa cultura de responsabilidade. A responsabilidade não significa, neste caso, que as pessoas devem limpar as suas ruas. Significa apenas que deve estar claro para todos quem é o responsável pela limpeza e que existem mecanismos para obrigar essa pessoa a fazer o que deve fazer.

    É por esta e muitas outras razões que considero problemática a insistência na corrupção, pois passa vista grossa à enormidade dos problemas que temos. É por esta razão que penso que temos a obrigação de insistir em definições apoiadas num jargão académico que não procura simplificar as coisas só porque “tudo está claro” e porque devemos “deixar de chavões”. A minha observação, segundo a qual as pessoas seriam de menor importância é, neste sentido, infeliz, pois de facto quem deve fazer as coisas são as pessoas. Queria apenas chamar atenção aos aspectos estruturais que parecem desaparecer das nossas considerações e mostrar que o problema é muito mais complicado do que pensamos.

    Só mais uma coisa: ao abordarmos o sistema político devemos resistir à tentação de aceitar financiamentos da indústria do desenvolvimento, pois esse será, de novo, o princípio do fim…”

  10. Falando da corrupção, a maneira como esta questão da corrupção é muitas vezes colocada sugere a ideia de que se mudássemos de dirigentes acabávamos com o cancro da corrupção no nosso país.

    Basicamente, parece subsistir a ideia de que o fenómeno da corrupção se deve a uma generalizada perda de valores morais por parte dos moçambicanos e a uma degeneração da sua classe dirigente.

    A abordagem do Elísio Macamo sobre o tema me parece interessante pois a corrupção ultrapassa as simples questões de moral, devendo ser vista também como um termómetro que indica possíveis desequilíbrios entre a oferta e a procura de serviços públicos.

    Devemos reflectir sobre este binómio PROCURA e OFERTA de serviços públicos sempre que enfocamos a Corrupção.

    Acredito que o enfoque personalizado da corrupção justifica-se em mui contadas circunstâncias. Uma delas seria para responsabilizar criminalmente os corruptos. No entanto, as acções de moralização da sociedade e o reforço dos mecanismos de penalização, sendo importantes, deveriam ser apenas consideradas como acções complementares. As melhores capacidades dos nossos países, humanas e materiais, deveriam ser alocadas no combate às causas básicas do aumento dos níveis de corrupção. Isto implica dar menor ênfase aos aspectos circunstanciais, espectaculares e de curto prazo, mesmo que signifiquem maiores dividendos políticos. É importante ter presente dois factores que, no nosso país, exacerbam a corrupção:

    i) a pobreza e os baixos e decrescentes salários na função pública (as pessoas são pagas um salário que se encontra abaixo do limiar de sobrevivência o que cria condições nas quais a corrupção é essencial para a sobrevivência).

    ii) Adicionalmente, riscos de todo o tipo (tais como doença, acidentes e desemprego) são altos em Moçambique, e as pessoas, geralmente, carecem dos mecanismos de cobertura de riscos (incluindo segurança social, seguro de saúde e um bem desenvolvido mercado de trabalho), disponíveis nos países que nos servem de referência.

    Tal como no aspecto político onde a estruturação de uma verdadeira oposição, ou a criação de políticos comprometidos com a causa da moçambicanidade é fundamental para a democracia, no combate a corrupção a solução há de estar na criação de estruturas fortes que permitam ao país sair da pobreza e punir convenientemente os corruptos.

    Vamos lá falar.

  11. Caro Matsinhe,
    Estou simplesmente maravilhado pela forma como aborda a questão. Todavia temo que, ao lançar o seu olhar demasiado longe, ignore a urgência em levar a outra parte da acção: a política. Por outras palavras, acho que enquanto fazemos o que disse, devemos também fazer o que eu proponho; aliás, o que também você propõe: enquanto vamos denunciando os criminosos e corruptos, vamos também melhorando o resto; enquanto vamos lançando mão à criação de uma esfera pública diversificada, corrijamos a prepotência dos partidos que se acham donos naturais deste país. É impossível?
    Acho que não. Um grande abraço.

  12. Exactamente,

    como dizia no meu post anterior citando o Elísio Macamo, “Isto significa que uma das nossas prioridades deve ser a diversificação da esfera pública: devemos convidar os outros partidos políticos a articularem interesses sociais; devemos convidar a Frelimo a ver mérito numa estratégia de democratização real da sociedade; devemos criar organismos de defesa dos direitos do consumidor – que poderiam organizar boicotes contra instituições que funcionam mal, contra empresas que prestam maus serviços, etc.; devemos tornar claro aos vários grupos sociais que existem na nossa sociedade que alguns dos seus interesses são melhor protegidos numa esfera pública transparente, dentro de um clima de legalidade; devemos, inclusivamente, recorrer à desobediência civil em nome da responsabilização dos decisores políticos. O homicído praticado contra o chefe da cadeia da Machava, por exemplo, devia ter custado o emprego ao Ministro do Interior ou à Ministra da Justiça. Nenhum deles é corrupto, como muitos que gostam deste termo iriam logo dizer. Eles estão a trabalhar dentro de sistemas com procedimentos pouco claros, onde as responsabilidades provavelmente não são claras e onde não há critérios de avaliação de desempenho.”

    A correcção da “prepotência dos partidos que se acham donos naturais deste país” não é impossível, depende da nossa consciência colectiva, da criação de uma sociedade civil consciente dos seus direitos (e também deveres) e que se arme de VERDADEIROS mecanismos de responsabilização dos nossos EMPREGADOS governantes.

    Infelizmente vivemos numa sociedade onde a ideia do medo impera. Vivemos numa sociedade onde nós, jovens, que deveríamos liderar o processo de transformação política em Moçambique ainda não parámos para nos perguntar o que queremos. Esperamos que nos CONCEDAM uma oportunidade (reclamamos isso) que, em minha opinião nunca nos será dada principalmente se as manchetes nos jornais, depois de uma mega reunião da juventude em Gaza ou em Tete for de noites de sexo e muita cerveja e não das decisões tomadas.
    Antes devemos conquistá-la.
    Diz-se que dominamos a comunicação social, a ciência, a tecnologia. Mas gostava de saber se temos a consciência do poder que temos por dominarmos essas áreas? Será que sabendo do poder que temos sabemos o que fazer com esse poder?
    O poder em mãos erradas é uma arma latente (isto é já um velho ditado mas que ainda vale). Temos que saber fazer uso desse poder. Primeiro teremos de recuperar o crédito das organizações juvenis a nível social de um modo geral e no seio dos próprios jovens em particular.
    O outro ponto é da unidade. Vamos sugerir uma espécie de “comunismo de ideias”. As nossas ideias e os nossos esforços devem estar ao serviço do grupo. Individualmente cada um está a fazer a sua parte mesmo sendo para conseguir um pão com manteiga e um sítio para dormir. Mas para que esse objectivo individual seja sustentável temos de ter uma base colectiva. Não sou muito pelas revoluções, mas gosto do que chamam de “movimento social”. Eu aceito e gosto de estar na mesma mesa a discutir o país mas só se for para construirmos uma agenda e sugerirmos formas da sua implementação.

  13. Interessa a FRELIMO que se acredite que a ruina da RENAMO é a sua fortuna. Desse modo passa a imagem de um partido SUPER FORTE e desencoraja aqueles que tem mentes fracas que são incapazes de pensar que nem todas as deserções na RENAMO não implicam adesão à FRELIMO apesar de toda a propaganda em torno disso.

    Outros moçambicanos de mente podre vão se mancomonando com agências internacionais com relatórios anuais sobre corrupção com a “investigação” feita à base de inquéritos dirigidos.

    Que acham que diria a senhora “entrevistada” à saida do DIC onde desespera pelo BI há mais de 11 meses? Que o sistema funciona bem? Que aqueles funcionários que não lhe deram o BI são santos e que coitados, só têm um computador para processar mais de 3 000 pedidos dia?

    Claro que não…. ela dirá aqueles individuos são todos corruptos. Essa é a imagem que os CIP e outras agências venderão para as USAID´s e agências nórdicas que pululam por aqui.

    Tenho dito.

  14. Servem figuras como os sociologos em mocambique , a soiologia nao se ocupa de estrumentalizar a massa popolar, o senso critico da sociedade civil mocambicana deve ser acentuado, justamente atraves da escolaridade, atraves da cultura non da anti ilegal mas a cultura da legalidade que è diferente , tutavia o nosso grande problema è a ausencia de pluralismo politico, que possa permeter uma maior representanca da nossa tao visivel democracia incenacao pois faltam partitos politicos , e a classe intelectual parece.me nao soò alienda bem como muito passiva. por isso acho que um sociologo releva as questoes importantes a gala e o resto è trabalho da instituicao e sobretudo do estracto social e sobretudo intelectual , ao meu parer o nosso grande medo , è aquele de ousar e de nao ter um amor tanto grande pelo nosso pais de modo a …….. partidos de quem pode e saber fazer politica com paixao e com objectivos.ù
    penso que temos que acordar… como obama refere we can if….

  15. A democracia está em vias de extinsão. Imagine-se se a Frel. ganha as presidenciais e provinciais. O que vai ser de nós? Remember 1975 e ss.

  16. sinto pena da minha Renamo, Renamo esta, que eu juntamente com muitos jovensnos finais da decada 80 aderimos saindo da beira a maringue. terminada a guerra. Em 2003 fui indicado pelo presidente da Renamo para compor uma brigada politica chefiada pelo sr samuel Brito Simango, actual deputado da assembleia da republica a provoncia de Tete. em tete tinhamos como missao montar as delegacoes politicas a todo nivel ou seja da localidade a provincia. qual o espanto? depois de muita coisa feita a Renamo saiu-se vitoriosa em tete nas eleicoes de 1994. hoje pela ambicao desmedida do presidente e tribalismo por outro lado fui acusado de pertencer a ala de raul Domingo entao expulso da renamo. sinto pena que as pessoas que estavam por de tras da minha expulsao sao os que agora fazem parte do MDM, e a tenho falado quase que frequentemente com eles e ambos sao unanimes em me dizer que eu tinha razao e o Dhlakama parou no tempo e nao acompanha o mundo. por for Dhlakama sinto pena do seu percurso que vai terminar em tristeza, nao sou advinho

  17. Olha, é a primeira vez que entro em diálogos como este. Estes assuntos preocupam-me pois sou jovem que gostava de ver mudanças no estado de coisas. Um homem honesto, que sabe que vai conseguir, as custas de mérito e esforços próprios alcançar seus objectivos será o primeiro a querer fazer jogo limpo. Se a Frelimo sempre teve certeza da Fraqueza dos outros partidos, se sempre soube que as eleições estavam “no papo”, porquê excluiu aquela que parecia ser uma alternativa (MDM) à Renamo? Porque persistem cenas vergonhosas de roubalheira na contagem de votos?
    Vamos lá falar…

  18. todo mundo fala da falta de alternancia do poder em moçambique e do regresso perigoso ao monopartidarismo.Praticamente sempre estivemos a viver num monopartidarismo.nao se ve mas sente-se-Mais vai acontecer agora que a frelimo vai por na constituicao o reconhecimento das autoridades tradicionais secretarios de bairro etc que e a sua estrutura na base.Todos agora irao ao beija mao aos secretarios da frelimo e todos estarao vigiados por essa estrutura como era dantes.Ai vai comecar a descriminacao das pessoas serio caso nao se identifiquem com a frelimo:Pelos vistos a frelimo ao propor a revisao era para acomodar constitucionalmente a sua estrutura de base.Serao estas estruturas nomeadas pelo governo serao eleitas para serem representativos das comunidades?Veremos:

  19. Muita verdade foi ai sitada, lamento concordar mas e’ a nossa realidade.
    O monopartidarismo ja estava em alta, ate o aparecimento da MDM, que bem acredito preocupante para o partido no poder.
    A antiga polica do DEIXA ANDAR foi agora subtituida pela tao famosa DESEMVOLVIMENTO DO PAIS, mas o desemvolvimento do pais resume-se no enchimento dos bolsos dos politicos corruptos.
    Em uma analise primitiva, e incosebivel k todas as empresa que prosperam sejem de alguma forma pertecentes/asossiadas por membros do partido no poder.
    Neste partido ‘corruptos’ conseguem dizer que o Pais e’ pobre, mas em cimultanio esbanjao luchuosos carror, possuem ate’ luchuosos Hoteis fora do pais.
    Questao muito bem feita por musicos, COMO E’ QUE UM PAIS TAO POBRE PODE EXISTIR GENTE MUITO RICAS?

  20. sinceramente o monopartidarismo nao devia preocupar-nos, visto que no paassado ele nos levou a independencia,porem a maneira como um certo grupo de mocambicanos entende de politica multipartidaria sim , isso me preocupa, ate ja imventaram uma formula propria de fazer politica um propoe e outro rejeita,fala serio eu sugiro que antes de levar estupidos ao parlamento e encherem a boca que falam em nome do povo,se fize-se uma triagem etica e academica,porque assim poupar-se- ia o dinheiro que e pago aos que dormem la,aos que abandonam as sessoes e aos que nada fazem para honrarem o salario que recebem

  21. Manuel Munduapege
    E triste ver um Partido como a RENAMO a cair dia apos dia por falta de uma estrategia pensada, No meu ver a RENAMO deve culpar se a si propria e verdade que o dialgo nao lhe estava a ser favoravel na Jaquim Chissano mas democracia e assim mesmo. Ela nao devia querer exigir comportamentos anti Constitucionais e os seus membros deviam procurar assessorar melhor o seu lider porque a escolha de guerra se formos a olhar aquilo que sao os orcamentos do governo e da RENAMO e visivel que o movimento rebelde nao tem hipotese e mais, ela nao pode querer comparar o periodo dos 16 anos de guerra civil em Mocambique porque o apoio que tinha naquele periodo hoje ja nao tem mesmo na regiao e se ela nao ve isso agora entao vera com a morte do lider Dlakama nas matas porque e o que dara se optar por uma via que nao tem hipoteses

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