Roteiro Político pela África Austral (1). Malawi


Resenha Histórica sobre a Transição Democrática

Malawi é um país que se localiza na região austral da África, rodeada por Moçambique, Tanzânia e Zâmbia.

Ganhou a sua Independência em 1964, 6 de Julho, sob a liderança ditatorial do Dr. Hastings Kamuzu Banda.

Em 1993, os ventos de Mudança fizeram com que o país adoptasse uma nova constituição que deu azo a Democracia multipartidária, mercê dos resultados favoráveis do referendo realizado a propósito.

Em 1994, realizaram-se as primeiras eleições democráticas e multipartidárias, onde concorreram oito partidos. O MCP, UDF e AFORD emergiram como os três partidos políticos mais fortes. A UDF e o seu candidato, Bakili Muluzi ganharam, tendo repetido a proeza em 1999 e 2004, mas desta vez, sem Muluzi, seu presidente, dado que, por imperativo constitucional, já tinha feito os dois mandatos e bastava. Bingu Wa Mutarika concoreu pela UDF. Chegado ao poder, dissociou-se deste e formou o seu partido, o DPP.

Kamuzu Banda Diabo, Kamuzu Herói

O regime ditatorial de Kamuzu Banda foi marcado por um conjunto misto de realizações boas e más. Logo a sua entrada para o poder, em 1964 transferiu a capital do pais de Zomba, uma cidadela universitária e militar para Lilongwe, uma nova cidade, ora em construção. Desenvolveu o sistema integrado das linhas de transportes rodoviários, aéreos e marítimos. Tornou navegável o rio Chire, fazendo com que o pais se tornasse comunicável da melhor maneira possivel. Os avanços na saúde, educação e cultura foram inquestionáveis. Banda também estabeleceu contactos com as grandes empresas de exploração de mão-de-obra sul africana, a THEBA, com a qual escoava produtivamente os malawianos para as minas de ouro e carvão.

Entre 1964 a 1974, o regime de Banda viveu os seus momentos áureos. Mas foi sobretudo no campo político e das relações diplomáticas internacionais que o seu regime teve mais dificuldades e, por via disso falhou.

No auge da afirmação nacionalista africana, Malawi dificilmente pagava as quotas na então Organização da Unidade Africana-OUA, actual União Africana – UA , muito menos colaborava com a Comissão de Independência desta organização. Colaborou com o Engenheiro Jorge Jardim, criador dos “flechas”, viveiro da actual Renamo; grande colonialista e estratega na luta contra a Frelimo, que, aliás chegou a viver no Malawi, sob auspícios de Banda.

Colaborou com o regime de Apartheid da África do Sul em troca da modernização das suas forças armadas e obras de engenharia, da qual se destacam a construção da grande ponte sobre o Rio Chire, o Kamuzu Bridge, o Estádio de Futebol de Blantyre, o Kamuzu Stadium bem como o Aeroporto Internacional de Lilongwe, antes conhecido por Kamuzu International Airport, KIA.

Banda também apoiou a Renamo, movimento rebelde moçambicano, que servia do país para se reabastecer em armamento e mantimento fornecido pela África do Sul e outras potências europeias e americana.

No plano interno, Kamuzu foi conhecido pela sua crueldade em eliminar tudo quanto se parecesse com oposição tanto a sua pessoa como a sua governação. É nesta esteira que nomes como Dunduzu Chisiza, Dr. Aatati Mpakati, Orton Chirwa, Ernest Chipembere, etc, aparecem como mártires. Outros que conseguiram escapar aos seus crocodilos (acreditava-se que ele entregava os seus adversários aos crocodilos que criava numa piscina) destacam-se o velho falecido (2006) Chakufwa Chihana, líder fundador do Aford, Kanhama Chiume, actual Presidente do MMDP e Kamlepo Kaluwa, Presidente do MDP (Partido Democrático Malawiano).

Apesar de tudo, vem o reconhecimento

Kamuzu Banda morreu em 1997, com 101 anos, vítima de doença, numa clínica da África do Sul, Garden City Clinic.

A sua morte, na altura foi tida como o culminar de um cíclo despótico, caracterizado pelos mais sangrentos atropelos aos mais elementares direitos dos homens. Assim, ficou, Banda, rotulado de ditador. Acusado de vários crimes, continuou a ser julgado mesmo após a sua morte. Apesar de tudo, teve um funeral de Estado.

Dez anos mais tarde o parlamento malawiano resolveu devolver a figura de herói, Dr. Hastings Kamuzu Banda, primeiro Presidente da República do Malawi. Foi o que aconteceu semana passada. o parlamento malawiano aprovou por unanimidade a devolução da data natalícia deste estadista, 14 de Maio por considerar os seus feitos na firmação nacionalista do país.

Alguns Blogs Malawianos

Soyapi. Mbumbas Blog

Africa Aphukira (África renasce)

Tsogolo (futuro)

Mangalisos World (O Mundo de Mangaliso). Nota: este blogger faleceu e em sua homenagem vai os meus parabéns, Herói.

Manalisos World 2 (Blog da irmã de Mangaliso, para preservar a sua memoria e ideais)

Alguns Sites de Internet

Malawi Nation-Diário Electronico

Sustainable Development Network Programme-SDNP

Governo do Malawi

12 thoughts on “Roteiro Político pela África Austral (1). Malawi

  1. Site interessante… e bom saber que alguem da lingua portuguesa se interessa em escrever coisas sobre a africa e principalmente por um pais tao pequeno como o Malawi.. vou ficar no malawi um ano.. e por isso.. vai ser muito util

  2. Força pelo trabalho investigativo. Este contributo importa para os investigadores da historia das relaçoes entre os estado africanos numa era da integraç]ao regional. ha alguns assunto sibre a problematica das fronteira hoje e a sua relaç]ao com a economia da regi]ao tendo em conta na questao da segurança publica em todas vertendes, incluindo saude.

  3. Caro Egidio Vaz,
    Devo dizer que estou muito orgulhoso de saber que existe um investigador mocambicano com tarimba divina.Nao sabe o quao me tem ajudado,sou estudante de ciencias politicas e relacoes internacionais,muito obrigado.Desejo-lhe tudo de bom e muita forca na pesquisa.Olha ai vai o meu email:amute_7@hotmail.com

  4. eu pensei que tinha o que eu estava procurando ,mais não achei interessante.Eu pensei que teria alguma coisa flando sobre a politica do malawi…

  5. A África realmente é um grande mistério do mundo. procurei por conhecer este país malawi porque foi citado num artigo cientifico sobre morbidade grave e mortalidade materna no distrito de Thyolo. Parabenizo a equipe que traz ao conhecimento do mundo os mistérios do outro lado do atlantico.

  6. Egídio tas de parabens pelo trabalho que fizeste é realmente o que vivi naquele país foi aquele país que me viu a nascer mas o homem foi cruel

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