Durante três dias, o Presidente Nyusi estará em Washington em prosseguimento da sua ofensiva diplomática internacional com vista a devolver à normalidade económica ao país. Depois de ao nível interno ter estabilizado, a situação político-militar; garantidos melhores índices de produtividade agrícola dos últimos 20 anos; assegurado o início da construção do FLNG e inauguradas infra-estruturas estruturantes para o crescimento económico inclusivo do país, a par de um discurso reconciliatório que resultou numa viragem do comportamento tanto ao nível da Frelimo como da Renamo e MDM (tolerância, inclusão, paciência na construção da Paz e reconciliação) ele lança-se agora para a segunda deriva internacional, desta vez para falar com investidores.

A AFRICA PROGRESS PANNEL e a sua bienal são um grande entreposto onde os EUA e países africanos seleccionados convergem as suas vozes para acertar negócios, firmar parcerias e, mais importante ainda, expor o país ao apetite dos capitalistas americanos.
E desta vez, o Presidente vai em melhores condições que da última: os dossiers PAZ e DÍVIDAS OCULTAS estão bem-encaminhados, o que lhe permite optar por uma narrativa mais robusta que a anterior. Mozambique is back, Moçambique está de volta.

A propósito, antes que me esqueça, descobri que o Presidente Nyusi, que discursa esta quarta-feira na bienal, foi o único chefe de estado que mereceu destaque em todos canais oficiais de comunicação do evento: web, redes socais, tv e radio (cf: http://www.corporatecouncilonafrica.com/). Adicional a isso, a agenda de encontros que vai manter, pelo menos os publicamente conhecidos, sugerem o grande interesse que os investidores americanos têm para com Moçambique. Verdade seja dita, o interesse americano por Moçambique não é de hoje. E para esta viagem, o Presidente não vai sozinho. Faz-se acompanhar por um alto oficial da embaixada dos EUA em Maputo. E vai se encontrar com pelo menos dois secretários do governo de Trump: o do comércio, Wilbur Ross e do Estado, o famoso Rex Tillerson, por sinal, alguém com que já teria privado aquando da sua última viagem na qualidade de CEO da ExxonMobil; conselheiro da USAID, Thomas Staal bem como.

Os encontros com dignatários republicanos e congressistas irão ajudar muito na reorientação da nossa sorte nos próximos anos. Com CEO da Anadarko Petroleum, RA Walker e da General Electric Africa, Jay Ireland melhorarão a percepção destes e do governo sobre os prospectos para uma Decisão Final de Investimentos. Precisamos da AGOA, precisamos ver o MCC regressar; precisamos garantir que tantos outros investimentos, novos e já em curso cheguem a Moçambique. Precisamos, como soi dizer-se, de peças; de novas peças. E o mecânico foi buscá-las nos EUA.
Que Moçambique está de volta, não haja dúvidas. Agora precisamos assegurar que ele ande…para frente. E para tal, nada mais nos resta senão desejar ao Presidente Nyusi todo sucesso durante as reuniões bilaterais que irá manter à margem da grande bienal.

PS: Um mecânico é um profissional especializado na manutenção preventiva, na reparação e, ocasionalmente, na modificação de máquinas, motores e outros equipamentos mecânicos. O trabalho que o Presidente Nyusi está a fazer é parecido ao de um mecânico. Uma coincidência rara, dado que ser ele mesmo, um mecânico de formação.

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